Hegel é um filósofo difícil. Mas difícil MESMO. Posso dizer com algum grau de convicção que NENHUM graduado em filosofia, sai da universidade entendendo Hegel de verdade. E, a menos que o mestrado ou doutorado do sujeito seja sobre Hegel, ele dificilmente o entenderá, em um curto espaço de tempo.

Dito isto, falemos de Hegel apenas o básico, porque disto eu dou conta.

Hegel faz sua filosofia a partir de Kant, que é outro filósofo difícil demais. Sua crítica a Kant está no sue conceito de númenon, que em português-br ficou traduzido, na maior parte das vezes, como mundo-em-si. Númenon seria as coisas tal qual elas são, enquanto que o mundo como nós percebemos seria o phenomenon, ou mundo-para-si. Do númenom nada sabemos, pois, como já nos mostrava Descartes, todo conhecimento empírico – ou seja, adquirido através da experiência – depende dos nossos cinco sentidos, e estes nos trazem informações falsas com certa frequência. Em outras palavras, o númenon é um segredo, porque o conhecemos através dos sentidos, que, volta e meia, nos traz informações falsas. Nos resta portanto o conhecimento do phenomenon, que é como eu percebo o mundo a minha volta. A isto podemos chamar de mundo da experiência cotidiana.

Mas como é possível que nós possamos conhecer algo? Como as informações que chegam até nós, se tornam algum tipo de conhecimento que nós podemos apreender? Kant nos diz que isso acontece porque compreendemos o mundo a partir das nossas categorias de entendimento a priori. Esse palavrão, categorias de entendimento a priori, são os pré-requisitos com os quais nós podemos perceber o mundo-em-si, ou simplesmente, mundo numênico. Essa categoria se resume, grosso modo, a lógica, e ela não depende da experiência. Isso quer dizer que você sabe que 2+2=4 mesmo nunca tendo experimentado os números, porque para ter este conhecimento, basta usar a lógica, que é uma categoria inata do seu cérebro. Você nasce com ela, e é através da lógica que você pensa.

Hegel curte tudo isso, mas com uma ressalva: Kant supõe que há um “mundo-em-si”, quando na realidade, diz Hegel, existe apenas como uma manifestação da consciência, por exemplo, como algo sentido ou algo pensado. Isso quer dizer que o único mundo do qual podemos falar é aquele que está sendo projetado por nossa consciência, mas isso implicaria dizer sobre como nasce a consciência, e isto nos leva diretamente a dialética do senhor e do escravo, presente no livro Fenomenologia do Espírito.

Não vou entrar em detalhes aqui, mas é basicamente o seguinte: imagine que duas pessoas se encontram, e ambas querem a mesma coisa. Então ambas lutam pela coisa até que uma vence. Quando a vencedora está prestes a matar a derrotada, a derrotada diz: “não me mate, e eu lhe dedicarei minha vida como escravo”. Sempre que algo assim acontece, quando você perde uma disputa na qual deu tudo de si até o fim, e reconhece a superioridade do vencedor, admitindo a derrota e a sua inferioridade, acontece a tal dialética do senhor e do escravo.

No começo ambos eram iguais, mas então, após o confronto, um sai como senhor e outro como escravo. Suponhamos agora que o objeto de desejo seja o preço do óleo diesel. Sacou?

Os caminhoneiros venceram, o governo os reconhece como senhor e abaixa o preço do diesel. Agora o governo fica como escravo dos caminhoneiros. Mas pra poder bancar a redução do diesel, ele escolhe tirar verba da saúde e da educação, entre outros. Como ele não tem condições de brigar com os caminhoneiros, já até admitiu a derrota, é no lombo do resto do povo que cai a paulada.

Porque nessa relação de forças, estão os caminhoneiros, o governo, e nós. E por caminhoneiros, por favor, não sejamos tolos, quero dizer as grandes transportadoras, ou simplesmente, o mercado financeiro. As vezes acontece de um grande segmento do mercado financeiro brigar com o governo e ainda assim alguns de nós se dar bem no processo. Neste caso, os caminhoneiros autônomos. Mas isso é raro, não se acostumem.

O mercado, geralmente, caga e anda para quem não é feito de dinheiro.

E o povo aceita a derrota. Admite que um governo ilegítimo, com 3% de aprovação, apenas a margem de erro, nos vença. E sabe porque? Porque entre outras coisas o povo brasileiro não quer nada além de brigar entre si para saber quem está certo sobre banalidades. É um FlaFlu eterno sobre direita/esquerda, capitalistas/comunistas, petralhas/coxinhas. Nossa vontade não é melhorar nossa vida, é apenas derrotar o outro.

Não sacamos o óbvio, que precisamos nos colocar para combater o governo. Temer está nas cordas e a hora de pedir o mínimo como saúde, educação, emprego, segurança é esta. Estamos deixando o bonde da história passar, e vamos nos arrepender disso muito em breve.

Então siga meu conselho: tire 15 dias longe das redes sociais, refaça seus vínculos e passe a realmente ter vontade de mudar essa porcaria que virou o Brasil, ao invés de apenas querer lacrar no Face.

Todo mundo vai ganhar, até eu.

 

 

 

 

 

Participe da conversa! 2 comentários

    • Amigos eu vejo da seguinte forma, muito simples, sem ser ao mesmo tempo simplista esta “greve”. Sem me deixar levar por proselitismos, e levando em consideração apenas anos de observação de movimentos grevistas no Brasil, desde a ditadura militar co as grandes greves do ABCDM !
      Primeiro nunca foi greve no sentido da palavra pois não era composta por trabalhadores assalariados e ainda forçando, por um minoria de trabalhadores autônomos sendo que a grande maioria de Empresas de Transporte, tando que se nota que quando os verdadeiros trabalhadores, ou sejam os autônomos resolvem parar os caminhões entram em cena os órgãos de repressão que até então faziam olhos e ouvidos moucos !
      Segundo a tal “greve” não passou de um encenação entre o Governo Golpista e as Empresas de transporte rodoviários,estas que de uma forma ou de outra apoiaram o Governo Golpista quando da parada em 2015 dos caminhões para fazer com que se acreditasse que a saída de Dilma tinha apoio popular!
      O que deixou o Governo Golpista em dívida com as empresas transportadoras e que agora deveria ser pago, e com que seria pago? Com diminuição de impostos, num período de crise como hoje e ainda onde os valores desta diminuição de impostos seria paga pelo povo que consome outros produtos do petróleo com gasolina e gás de cozinha!
      Ou seja o Golpe perfeito, governo golpista pagou sua dívida com as transportadoras, não mexeu no bolso e ainda obriga outra parte do povo a pagar por isso que ainda por cima está de acordo com o Governo que acaba com a “greve” em paz !
      “Gran Finale “

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